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O MUNDO TODO LÊ ☼ Entrevista com Mabel Velloso

No cenário literário baiano ela é referência de simplicidade e simpatia. Aquela vó que todos gostaríamos de ter por perto, nos ninando com sua voz doce e calma.

Começou a vida como professora e hoje encanta quem quiser parar para ouvir suas histórias.

Mabel foi criada e ninada em Santo Amaro com os poemas do pai, as canções da mãe e o carinho da sua gente, como gosta de dizer. 

Aproveitem para saborear nesta entrevista um pouco desta figura doce e encantadora que é Mabel Velloso, que afirma: "Família é benção. Cada um com seu jeito de tentar melhorar a vida."

3L - Desde quando a literatura faz parte da sua vida? E quando você percebeu que gostaria de torná-la sua profissão?

Mabel - Desde muito pequena ouvia histórias e sabia que os Livros guardavam tudo que me contavam. Nunca pensei em fazer da Literatura, da escrita, do contar minha profissão. A profissão que escolhi foi Professora. Sempre quis ensinar.

3L - Porque a literatura é importante, principalmente para as crianças?

Mabel - Tudo que é bom se torna melhor quando é oferecido à criança. A Literatura é o caminho mais interessante para a criança encontrar a criatividade.

3L - Além de escritora, você também tem composições musicais gravadas por diversos cantores, inclusive sua irmã Maria Bethânia. Criar uma canção é muito diferente de criar histórias literárias?

Mabel - Nunca pensei em criar uma canção. Alguns poemas meus foram musicados para minha alegria. Para mim é bem diferente lidar com a música. Todas as vezes que ouço um poema meu na voz de alguém sinto que os versos cresceram, ficaram mais bonitos, subiram na pauta!

3L - Como você enxerga o mercado editorial hoje?

Mabel - Não sou nada comercial e não me interesso muito pelo mercado editorial . Sei que os lucros ficam sempre com os donas das editoras. 

3L - Sabemos que o Brasil, infelizmente, não é um país leitor. Pela última pesquisa "Retratos da leitura de maio de 2016”, a média de livros lidos por ano pelos brasileiros é de 4,96 livros. O que você acha que é preciso para mudar este cenário?

Mabel - Antigamente se lia menos ou não se somavam os leitores. Hoje muita gente lê. A divulgação é bem maior, as novelas despertam interesse por escritores, as histórias infantis são muito bem apresentadas e com a ajuda dos Colégios muitas crianças gostam de ler. Melhor é quando estão lendo por gostar do livro, sem ler apenas para ter nota. O cenário vai melhorar quando as pessoas receberem salários decentes e puderem comprar livros, quando as Bibliotecas se espalharem e facilitarem a vida de cada leitor.

3L - Os eletrônicos, cada vez mais presentes na vida das crianças, são uma ameaça ao livro? Como lidar com esta realidade?

Mabel - Os eletrônicos são uma ameaça e se tornarão piores inimigos dos livros se os pais e professores deixarem de contar e encantar seus filhos e seus alunos mostrando as coisas boas que os livros guardam.

3L - Seu mais novo livro para a infância ensina as crianças a montar brinquedos com caixinhas de fósforo. Por que abordar este tema?

Mabel - A melhor maneira de ensinar é brincando, contando, cantando. Despertar na criança a vontade de fazer seu próprio brinquedo é uma forma simples de no brinquedo ela descobrir que se diverte e aprende. A história que vem como pano de fundo vai fazer o desejo de criar um brinquedo uma tarefa prazerosa. A menina vai preparar a mobília para a casa das suas bonecas, o menino vai ser o carpinteiro, o artesão, o arquiteto fazendo a mobília. O que se aprende numa brincadeira, num conto que se ouviu, numa canção, fica guardado num lugar especial da nossa memória. 


3L - Depois de tanto tempo dedicada a literatura, surge algum arrependimento ou as alegrias são maiores?

Mabel - Cada dia é uma alegria maior por ter contato com outras pessoas que também ouvem, contam, inventam, criam. Fazer uma criança gostar de ouvir é um prêmio. Não me arrependo de nada. Sinto não ter muito tempo para contar e criar mais.

3L - Deixa aqui para os leitores algumas dicas de livros para a infância que todo mundo deveria ler

Mabel - Ler é um agrado que o livro nos faz. Quem lê vive mais feliz. Os contos infantis nos fazem acreditar que tudo vai acabar bem. Até hoje ainda acredito que “seremos felizes para sempre”. A Varinha de Condão deve ser usada por cada pai, cada mãe, cada avô ou avó, pelos professores. Contos, cantos e carinho fazem a criança viver mais feliz. Tantos livros que nos fazem ser melhores! E não são os de auto ajuda. São os infantis que nos tomam a mão e nos levam sem medo dos lobos atuais, das bruxas, dos vampiros. Ainda gosto de reler Monteiro Lobato, volto a encontrar Emilia sem roupas coloridas mas enchendo minha alma de cores. O Pequeno Príncipe, O Menino do Dedo Verde devem ser lembrados sempre. Quem quiser voar comigo pode ler Arraia Azul. Quer uma viagem bem pequena? Procure o Trenzinho Azul. Cada estação é um motivo de olhar o futuro com esperança.

3L - Quais são os novos projetos?

Mabel - Continuar indo às Escolas contar para os meninos que gostam de me ouvir. Contar sem usar data show! Sem filmes, sem telas. Só a voz e o conto. Ter a alegria de ver adultos dormindo e depois revelarem: Parecia que era minha avó contando. Cheguei a cochilar…

3L - Um bate pronto bem rapidinho para encerrar o nosso papo e deixar os leitores com gostinho de quero mais:

Um livro de cabeceira

Tenho uma pilha! Leio, releio os meus velhos companheiros. Atualmente relendo – Flores Raras e Banalíssimas.

Um filme que de alguma forma te marcou

Filme que nunca esqueci: Éramos Seis.

Um trabalho inesquecível

20 anos na Escola Dr. Araujo Pinho em Santo Amaro onde aprendi mais do que ensinei.

Alguma mania ou superstição na hora de criar?

Não tenho mania ou superstição na hora que escrevo. Escrevo quando estou mais triste, mesmo os contos engraçados.

A quem você dedicaria seu melhor trabalho?

Todo meu trabalho é dedicado às minha filhas Ju, Lala e Belô e aos meus netos Anna Luiza e Jorge que me fazem viver e entender que Era Uma Vez uma mulher feliz.

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