Artigos
Mônica França
Analfabetos, 16 mi; Gugu Liberato, 3 mi
Em um país onde o salário mínimo não chega a R$ 500,00 e a miséria ronda e adentra milhares de lares brasileiros, deparamos com a fatídica notícia de que o apresentador de TV (que está mais para boneco de fantoche, e das piores representações) Gugu Liberato acaba de fechar contrato milionário com a Rede Record para transportar à emissora dos pastores o enlatado no mesmo formato que apresenta no SBT, por uma cifra de nada menos que R$ 3.000.000,00 por mês.
Pasmem! Isso mesmo. É zero até perder de vista. Mas até a educação do país também tem seus zeros nos 16.000.000 de analfabetos. Recentemente, no dia 09/06, saiu o resultado do relatório (Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009) produzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), relatando sobre a educação no país que, vergonhosamente, mostra que 680 mil crianças e adolescentes, entre sete e 14 anos, estão sem estudar.
Embora, em relação ao acesso escolar, à aprendizagem, permanência e conclusão do Ensino Básico a educação brasileira tenha avançado (atualmente, alcançando o patamar de 97,6% de matriculados, na faixa etária citada), o número dos exclusos é alto e pode se tornar mais gritante caso o povo e seus representantes não tomem medidas sócio-educativas eficientes para combater este mal que se arrasta pela história do Brasil.
Reclamar de quê?
O próprio senador Cristovam Buarque (PDT-DF) expressou em plenário que o fato do Brasil estar muito próximo de "universalizar o acesso à educação" é uma pretensão meramente "ilusória". E mais, declarou para quem bem quisesse ouvir e entender que o aumento no número de alunos matriculados, sequer significa obter conhecimento: "A matrícula não indica frequência. Frequência não indica assistência. Assistência não indica permanência. Permanência não indica aprendizado", como bem colocou o senador.
Mas o que Gugu tem a ver com tudo isso? Ora, nada! Afinal de contas não foi ele quem fechou as portas da educação e tão pouco pediu para receber um salário incompatível com a realidade socioeconômica do trabalhador brasileiro. Pelo contrário, o programa do apresentador busca até a inclusão, com a participação dos telespectadores para "tornar os domingos cada vez mais especiais", como consta na chamada do site oficial do Domingo Legal. Basta apenas clicar e optar por um dos educativos quadros da recreação dominical, como "Devo, Não Nego", "Lendas Urbanas", "TV Fuxico", "Menino de Rua", "Quero Meu Cãozinho", entre outras dezenas de circos midiáticos que não exigem esforço mental.
Reclamar de quê quando se tem o maior Ibope dentre os programas exibidos aos domingos? Mudar o foco da apresentação por quê? Dizem que em time que está ganhando não se mexe. E assim, o povo vai se emoldurando nos quadros da deseducação, se é que algum dia a TV dominical teve algo digno de ser chamado educação.
Artigo publicado no Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=542TVQ006
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