UM SANATÓRIO PARA TODOS NÓS!

Um SANATÓRIO PARA FREUD
Uma obra teatral de Ivanildo Antonio - (Diretor/Escritor e Poeta)


Por: Wilson Bizerra (DRT/Ba 2536)
Era uma vez, numa cidade pacata e cheia de encantos, em meio a uma infinita necessidade de adentrar ao universo do conhecimento e da diversidade até então, pouco conhecida e/ou oportunizada em nossos (naqueles) dias... No velho e funcional Cine Camaçari, que ainda pomposo se mostrava e se deixava ser, tudo se via como inalcançavel e sem rumo, como se faltasse o Pendulo, Prumo, a Bússola, que norteia os navegantes em mares desconhecidos O movimento teatro tal qual o sistema político era UNO e representava-se unicamente por espasmos, raros, do grupo mãe de todos os grupos de teatro de Camaçari, o TAC, de Alberto Martins e Cilene Guedes, agonizante ante as mazelas dos onipotentes políticos e politiqueiros que ainda o é, e, os são!.
A frente do Cine Camaçari, único cinema do município, podia analisar de um ângulo privilegiado as lacunas perpetradas pela ausência de governo e de políticas publicas, impregnadas e dispostas de forma coletiva e absolutamente abstrata, como se norma fosse. Vivíamos o desencanto, como único encanto, para desencantar o novo, a população na grande e absoluta maioria, se esmerava em querer viver novos tempos, desafios, saberes! Um sonho e um sonhador em seus delírios a procura da luz que sumia, quase desfalecendo no horizonte, como se estivéssemos na travessia de um túnel de todo inimaginável e de certa forma intransponível, face, a sua grandiosidade... Combalidos e sobreviventes, de um recente tufão ou cataclisma, tsunami talvez 1*, os poucos e raros resistentes esperavam e careciam de novidades... No barraco humilde onde sempre vivi, pude observar a movimentação de uma trupe, no seu (ir e vir), que se alojara numa chácara pertencente à igreja Católica e conhecida como CHACARA DOS PADRES. Ao voltar da labuta diária exercida a frente do cine Camaçari, ultimo reduto, eu diria santuário de adoração e de preservação de uma semente que seria lançada ao solo, como conseqüência do acontecimento histórico, que se desenhava no velho e acolhedor teatro Magalhães Neto. (UM SANTÓRIO PARA FREUD) dizia o cartaz, a frente do teatro. Não pude deixar de sentir uma alegria até então desconhecida, apesar dos vários contatos e da intrínseca ligação com o TAC., que também teatro era. À noite, agora na platéia, juntamente com pessoas que ainda hoje somam, e, que foram fundamentais para o abastecer intelectual, dos tais resistentes. Professor Narciso, Jair (dirigente a época da filarmônica e coral 28 de setembro), Cilene Guedes, Alberto Martins, Humberto Magno, enfim, não posso lembrar-me de todos, mais estes, sem duvida simbolizam o resistir dos que aqui permaneceram buscando o cultivo da semente que luz hoje se faz!
O veleiro mor, (trupe), tendo a frente um comandante que era apenas um ?timoneiro? em meio as tempestades costumeiramente acometidas nos mares de cá, ancorava no altar almal (palco), desembarcando sua tripulação em revoadas certeiras, que nos aprisionavam pelo sentimento do prazer, que transcendia, aos limites dos sentidos e se desenhava numa obra prima, iluminando com extrema lucidez os encefálicos da embevecida platéia (súditos). Ao final da apresentação, algumas raras almas se manifestaram, dentre elas o Professor Narciso e eu, fomos unânimes em reconhecer que acabávamos de assistir um grande espetáculo, com a mais refinada das técnicas entendidas como dionisíacas. No caminho de casa, ainda em êxtase, encontrei o adubo e a formula lúcida e correta, de tratar, fazer crescer, florescer e frutificar, era o embrião da Fundação Cultural Ca&Ba, que se dispunha em alimentar minha sensibilidade, tão estonteantemente aflorada naquela noite. Hoje, depois de mais de uma década passada, vivo a emoção outra vez, e de forma representativa, pelos frutos cultivados naqueles tempos de infertilidades, que no magnífico altar da Cidade do Saber, estarão encenando a grande obra teatral de Ivanildo Antonio, (Diretor e Poeta), UM SANATÓRIO PARA FRUED, fato este de extrema relevância, para mim e para toda uma geração que tiveram no cinema e no teatro Ca&Ba, inspiração, espaço, chão, e que me remonta ou me remete a teoria da conspiração universal CÓSMICA. *Somos todos de fato, parte de um todo, que tudo pode e que tudo sabe, sem saber*.
Wilson Bizerra ( Criador e mantenedor da Fundação Cultural Ca&Ba)

1* Extinção da embrafilmes Governo Collor de Mello



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