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Emerson Leandro Silva
De iconoclasta e louco todo mundo tem um pouco
Ser ou trabalhar com ícones e a sua respectiva relevância é, no mínimo, uma tarefa arriscada. Significa, em alguns casos, fazer questionamentos sobre uma série de aspectos, que uma grande maioria julga como verdades inquestionáveis; lógico que o risco ao qual me refiro não se restringe somente às defesas, muitas vezes com um vigor excessivo, por aqueles que se mantêm irredutíveis, quando o seu nicho de conhecimento é questionado. Criar um rótulo é sobre tudo transferir características positivas ou pejorativas a outrem sem que, muitas vezes, este seja questionado. Diante da atual caracterização de nossa sociedade, onde cada vez mais o "ter" é posto acima do "ser", é de relevante importância entender como funciona as engrenagens iconográficas.
Não há problema em sustentar ideologias, por mais absurdas que elas sejam. Mas, fazê-la de uma forma intencional, e não clara, analisando aqueles que discordam de seus ideais sob uma ótica maniqueísta, configura-se como uma ofensa ao direito de liberdade de escolha. Nem sempre o aparente raciocínio lógico e sintético que os ícones proporcionam é, em suma, A VERDADE. Haja vista os exemplos da raça ariana de Hitler e as sequências de atrocidades, no período das inquisições, cometidas pela Igreja Católica.
É lógico que existem rótulos que nascem da espontaneidade popular, do trabalho longo de consolidação de uma arte inerente ao ser humano. Um exemplo clássico disso é a existência da negra, quase mitológica, figura de Bule Bule (recentemente agraciado pelo Governo Federal com o título de Comendador da Cultura Nacional). Este mestre popular é um dos inúmeros espalhados pela Bahia que carrega consigo a responsabilidade de fazer conhecer a importância e riqueza da literatura de cordel, das diversas modalidades de samba, dentre elas o licutixo (segmento este, que é sua especialidade) e de nos proporcionar a possibilidade de degustarmos um pouco de uma cultura que, certamente, preza-se pela vivência em coletividade e pela alegria simples de enxergar beleza no cotidiano.
Por isso, antes de definições precipitadas, baseadas na análise superficial de algo ou alguém, se faz necessário entender que a existência de rótulos, ícones, classificações é algo inerente a todo ser humano. Eles só atendem a nossa primitiva necessidade de acreditar em "algo". Exatamente por isso é que podem ser perigosos. A própria história da humanidade atesta isto. Devem ser encarados como ponto de partida para uma reflexão sobre o problema que trazem consigo. Será sempre uma hipótese que só será comprovada ou negada, após confrontarmos diferentes pontos de vista sobre o mesmo problema e, só aí, concluirmos que "aquilo é isto ou isto é aquilo!".
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