La Déesse de L'amour

ARTE VIDA
Os amantes seguem embriagados e sem rumo
Por caminhos que os fazem regredir no tempo, transformando-os em eternos adolescentes
Que deliram, que vibram, que erram, mas que acima de tudo vivem intensamente seus sonhos
Sem deixá-los escapar por suas mãos
Porque é a paixão responsável pelo despertar da arte chamada vida

DESEJOS DE UM CHOCOLATE
Entre marcas que marcam as mentes dos amantes
E desafios que tentam acreditar poder fazer
Ela prova dos lábios dele o sabor meio-amargo do cappuccino
São adjetivos aromatizados por tolices
Que levam-na a competição da palavra para o dia seguinte
O bairro central, aclamado por todos por sua nobreza
Quase perde a Graça da sutileza
E o largo sorriso que sempre fora destaque
Dissolve-se na xícara como o chocolate
Mas como explicar o sonho de querer ser a única fonte de inspiração, fonte de desejos, fonte de vida e foco de total atenção, mesmo envolta à multidão?
Se não me falhe a memória nesse embate
Fora esse o mesmo desejo do chocolate
Esforçara-se até a última gota
Para sozinho adoçar o café na boca
Grave é acreditar que o ciúme, um dia
Não possa vir a alterar o sabor da paixão, sempre vadia
Assim como faz o pó de canela
Quando colocado sobre o creme chantilly dela
Os paladares, como suas discutíveis verdades
É que vão determinar se aprovam ou rejeitam a fusão dessas misturas afundadas em canduras

COMO É BOM AMAR VOCÊ
Em cada trecho de música
Em cada verso de poesia
Em cada sonho pulsante
Ou em cada olhar convidativo
Em mim você está
Se o sorriso preenche meu rosto
Se a caneta escreve teu nome
Se meu carro segue o caminho da tua casa
Ou se perco a noite em prazeres solitários
Em mim você está
Apenas porque sei que te quero
Apenas porque sei o que me tornei
Apenas porque não sei te esquecer
Apenas porque invento palavras para dizer que amo você

NOITE DE INSÔNIA
Dentro do gélido quarto
Sinto que as chamas da paixão queimam minha carne nua, fazendo-me agonizar
Estou presa até mesmo longe de ti
Não tenho e nem quero escapar da tormenta que me consome
Deliciosamente desejando querer-te
Meus pensamentos projetam sua imagem no colchão incendiante
E o calor das tuas mãos passeia o meu corpo
Nos movimentamos feito labaredas em chamas
Eu me contorço de prazer
Sussurro teu nome e fico gemendo sob o fogo ardente
Como numa noite alucinante perdida em delírios
Você vem e veste minha louca paixão despida
Não resisto
Meu grito abafado ecoa no ar
Atravessa fronteiras de fantasias
E segue teu rastro, outra vez
Em seguida, você volta
Me toca
Me cheira
Me sente
Domina meus cabelos como crina em tuas mãos hábeis, amáveis, selvagens
De repente abro meus olhos
É hora de dormir, sonhar contigo e esperar a tarde vir

EM NOME DO PROGRESSO
Meu amor cresce como a cidade
Desgovernada
Sobre pontes levadiças, viadutos cortantes,
passarelas sem modelos, por debaixo de túneis subterrâneos
Desenfreada
Como os veículos apressados e os ligeiros passos nas calçadas
Mas segue o rumo da evolução
Em nome do progresso

CIO INFANTIL
Rebelo-me sob o suplício da razão
Feito criança mimada ociosa em ter atendido os seus caprichos
Prezo o declínio da virtuosidade mórbida
Pelo puro prazer de em seus lábios vadios esquecer de me perder

ESTRADAS DO DESCOBRIMENTO
Que minhas descrenças inspirem meus erros
Que tua espera seja recompensada pela alegria da paixão
Que meus conflitos morais se multipliquem
Que teus sonhos sejam mais intensos... reais
E mesmo que sejamos renegados ou repudiados pelos bitolados, descrentes de amor
Sigamos juntos, errantes, pelas estradas do descobrimento
Retornar, já não é mais preciso!

SEM CENSURA
A boca que clama por você
É a mesma que sussurra teu nome no ouvido
A mesma que acaricia o teu corpo
Embalada pela descoberta de nada cobrir
Já a mente, ardente
Perde-se no espaço e no tempo
Para dar sentido a loucura de ser amante
Errante por instinto
Insana por opção

LIBERTINA
Paixão oculta no erro
Erro sucumbido pela paixão
Paixão abstrata que enfraquece paradigmas
Paradigmas superados pela sensatez da não-razão
Não-razão que arranca de mim a duplicidade de ser mulher e amante
Estou a serviço do teu beu prazer
Feito libertina gritando teu nome na multidão

NÃO SEI QUEM SOU, DE ONDE VIM E PRA ONDE VOU
Sou a mera imperfeição dita humana
Que da árvore de teu conhecimento
Comera o fruto proibido
Hoje, expulsa do suposto Paraíso
Sou certamente a felicidade inerte em ti
Não sonho ser mais do que sou
Pois minha realidade infringe qualquer dor
Nada haverá de ser maior que viver esse eterno amor
Diante de um mundo em que me revelas a alegria de não saber o que sou

DESEJO COMUM
Existe um desejo comum
Pertencente a dois perdidos de desejos
Tantos ensejos encobertos de segredos
Que enrijece a carne que nos fortalece
Mas se, de fato, esse é o trato
Enfraquece minha mente que padece
E vicia sob o cheiro que entorpece
São desejos mesclados por devaneios
Diante dos corpos despidos na tortura
Maiúsculos átomos preenchendo os músculos que falo
Que se esquivam de ternuras
Para afrontar o submundo das criaturas








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